É a hegemonia, meu irmão!

*Por João Franzin

Na política, a gente deve olhar para o que está acontecendo e não se dar por satisfeito com o que enxergar. Em política, devemos perguntar, sempre: mas o que será que realmente está acontecendo?
A pergunta cabe, agora, quando se debate o fim da contribuição sindical. Na verdade, a questão é se o modelo sindical deve ser o da unicidade ou o da pluralidade.
Vou mais além. A questão concreta, e política, é a busca da hegemonia no sindicalismo brasileiro. A quebra da unicidade, atingindo, primeiro, o custeio, é um movimento tático, claro. Quebrada a unicidade, derrubado o custeio compulsório, criam-se condições novas, e favoráveis, para a construção dessa hegemonia. Ou seja, de uma nova correlação rumo ao poder sindical efetivo.
Os que combatem a contribuição sindical propõem uma frágil, e ainda não experimentada, taxa negocial. Mas, nesse modelo, quem vai negociar com quem para estabelecer valor e critério? E, não havendo negociação (as partes nem sempre se entendem), quem arbitrará a pendenga? O Estado por meio do Judiciário e dos Procuradores nervosos?
Fazendo a ressalva de que posso estar sendo conservador na minha posição, sempre recordo o filme “Ensaio de Orquestra”, de Fellini. Noves fora as esquisitices típicas do grande diretor, a lição é a de que a ruptura só funciona se tivermos em mãos um novo modelo mais assentado e eficiente.
Se não, o maestro volta ainda mais poderoso e despótico. Quero dizer que, havendo anarquia sindical, alguém terá de tomar as rédeas da situação. E será, sem dúvida, o Estado, de quem já tivemos a tutela, mas não a queremos mais.
Fonte: Agencia Sindical


 

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