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| Integrantes do MAST durante ocupação do escritório do Itesp em Presidente Venceslau, em fevereiro de 2009 |
Cerca de 5 mil famílias ligadas às entidades dos trabalhadores rurais sem terra e sindicatos de trabalhadores rurais montaram acampamentos em frente a 70 fazendas no Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, consideradas terras devolutas e improdutivas. Conhecida como carnaval vermelho, a ação tem o objetivo de apontar as áreas que devem ser destinadas à reforma agrária e acelerar o assentamento das famílias na região.
"Mobilizamos mais de 5 mil famílias para denunciar à sociedade que as propriedades são improdutivas ou devolutas, que pertencem à reforma agrária. Esperamos do Governo e do Estado ações concretas, bem como de nosso parlamento leis, que permita a desapropriação dos grandes latifúndios. Temos no Brasil 15 fazendeiros que são donos de 98 milhões de hectares de terras", diz trecho da nota à imprensa assinado por MAST, MST, MTST, Uniterra, MLST, UTST, CGTB, CUT, Sintraf, SER e STRs.
Uma lei federal impede o Incra de vistoriar ou desapropriar terras invadidas, por isso nenhuma fazenda foi ocupada. "No carnaval vermelho deste ano mudamos totalmente as estratégias. Nós colocamos os acampamentos em frente às propriedades que consideramos como terras devolutas e improdutivas e mostramos para este governo tucano que existem terras, o que falta são políticas de reforma agrária", explicou o presidente do MAST e membro da executiva nacional da CGTB, Lino de Macedo.
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Lino de Macedo, presidente do MAST, e José Rainha Júnior, líder dos trabalhadores rurais sem-terra |
"Queremos denunciar à sociedade que são terras públicas, griladas, ou fazendas improdutivas que devem ser destinadas para a reforma agrária", disse José Rainha Júnior, um dos líderes do carnaval vermelho
Logo que chegaram às propriedades, os trabalhadores sem-terra estendiam nos portões faixas com os dizeres: "Esta fazenda pertence à reforma agrária" e montavam os acampamentos com madeira e lona. Em Dracena e Epitácio Pessoa ocorreram as maiores ações, com cinco fazendas marcadas em cada cidade.
Os manifestantes também acamparam em áreas da Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp) em hidrelétricas de Castilho, Andradina e Pereira Barreto. "Lutar pela reforma agrária e pertencer ao movimento social para Serra é crime. É um governo repressivo e arbitrário como foi com os funcionários e estudantes da USP em data recente. Deixamos à própria Democracia que faça justiça quando as próximas urnas forem abertas", diz outro trecho da nota assinada pelas entidades.
As outras reivindicações são o assentamento imediato das famílias acampadas, a revisão dos índices de produtividade e uma mudança na lei para que o Incra possa comprar e pagar à vista terras destinadas à reforma agrária – atualmente o pagamento é com Títulos da Dívida Agrária (TDA).
A intenção dos trabalhadores é permanecer nos acampamentos até que as áreas sejam destinadas às famílias.
José Rainha Júnior informou que esta semana vai pedir audiência com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para discutir investimentos em infraestrutura e falta de recursos para novos assentamentos.
Fonte CGTB:
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